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A dieta da proteína por uma ex-atkiniana

novembro 28, 2013

Quem sempre conviveu com excesso de peso, normalmente sabe mais nomes de dieta que de cidade do país. Quem nunca passou uma semana tomando sopa que atire a primeira pedra, não é mesmo?! Desses 20 anos de guerra contra o meu próprio corpo, a coisa mais próxima que tive de uma reconciliação (antes do atual processo de reeducação alimentar) foi a descoberta da DIETA DA PROTEÍNA.

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Conceitos polêmicos, que em geral questionam os hábitos errados e a indústria (a verdadeira vilã)

Foi lá em 2001, quando uma nutricionista que me acompanhava há meses resolveu fazer um teste comigo e me apresentou a dieta da proteína. Eu me entendi com ela, perdi uma parte dos quilos às vésperas da formatura do ensino médio, e me estabilizei na faixa do sobrepeso.

Como sou rebelde, sumi do consultório algum tempo depois. Quando o peso voltou a incomodar, descobri em pesquisas na internet que se tratava do trabalho de um cardiologista americano, que escreveu um livro condenando o consumo de açúcar refinado e farinha branca na vida da gente. Ele afirmava que o problema da nossa alimentação não estava em comer gorduras, e sim nos carboidratos simples.

Ler o livro do dr. Robert Atkins me fez, pela primeira vez, analisar a relação de alimentação enquanto forma de consumo. Ele chamava as coisas que eu mais amava comer de “comidas lixo”, e dizia que havia uma relação de vício, dependência química mesmo.

Em geral, ele propõe uma mudança total de hábitos, em que no início você consome uma quantidade mínima de carboidrato e açúcar, e pode comer proteínas e gorduras até se sentir saciado. A proposta dele é que gradativamente você possa ir incluindo carboidratos saudáveis, como cereais integrais, legumes e frutas, por exemplo. Ao final do processo o corpo está em pleno equilíbrio e você se livra do vício e das doenças que as “comidas lixo” te proporcionam.

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Nos anos 80, Dr. Atkins foi pioneiro em afirmar que o que fazia mal era o carboidrato, não exatamente as gorduras.

Ainda muito presa aos conceitos que aprendi a vida toda, passei os últimos onze anos alternando períodos em que segui a os conselhos do Dr. Atkins e eliminava uma dezena de quilos, e os que me entupia de lixo como se não houvesse amanhã. Eu acreditava que era melhor engordar e emagrecer, do que só engordar. E não me permitia imaginar a minha vida sem tomar a minha cerveja, ou comer chocolate, pizza, leite condensado, sushi…

Ouvi muita bronca, muita gente questionou “essa dieta louca”, mas o meu corpo sempre me mostrava resultados positivos. Não é só uma questão de emagrecimento, eu realmente sentia melhoras na minha vida, na minha disposição, no meu humor, e nada daquilo que diziam fazia sentido. Mas a ligação afetiva com a comida errada sempre me levava de volta aos hábitos anteriores, que me faziam voltar a engordar e ficar triste.

Em junho desse ano, decidi tentar uma abordagem diferente e, depois de todo esse tempo não conseguindo me submeter a outras formas de emagrecimento além do Dr. Atkins, decidi tentar uma reeducação alimentar. Decidi aplicar a disciplina que Atkins exige, e não desconsiderar nenhuma escapulida. Percebi que a mudança de hábitos é muito melhor quando você entende que o que é ruim é preciso eliminar da sua vida. E voltar a coisas que te fazem mal só para atender aos apelos do consumo é uma forma de escravidão.

Em geral, hoje acho que estou mais próxima do que o Dr. Atkins me propôs do que nunca. Aquelas comidas realmente são lixos. E eu consegui passar de fase, se antes tinha medo de ir incluindo aos poucos os alimentos que a primeira fase excluía, hoje estou conseguindo uma alimentação equilibrada, cada dia mais natural.

São muitos os mitos em torno da dieta da proteína, muita mentira, muita desinformação. Me incomoda a patrulha dos diet/light, já falei sobre isso aqui. Então a série que criei aqui no blog e teve uma surpreendente aceitação se propõe a DESCONSTRUIR AS IMPOSIÇÕES DO CONSUMO, E DESINFORMAÇÕES que circulam por aí. Entre as bobagens que ouvi sobre a “dieta da proteína” as mais constantes são:

1 – “Fazer a dieta da proteína vai te deixar indisposta, porque você precisa de carboidrato para viver” – Ninguém precisa de farinha branca ou de açúcar refinado para viver. A dieta da proteína transforma a lógica do seu organismo e, na falta do carboidrato, utiliza outras fontes de energia. Na primeira semana existe uma adaptação, acontecem sim os enjoos e as dores de cabeça, mas passado esse período o meu corpo me dava respostas muito positivas. Eu fazia musculação e atividades aeróbicas em muitas das vezes que estava na dieta, e nunca me faltou disposição.

2 – “Essa dieta aumenta os níveis de colesterol e triglicerídeos do seu corpo” – Orientada pelo livro, fiz todos os exames para comprovar, as taxas só melhoravam com a dieta.

Em geral, me incomoda a resistência encontrada a toda e qualquer tentativa de reconstruir hábitos que estão dando errado. Hoje eu não estou com hábitos atkinianos, mas continuo sendo vista como louca e radical por muita gente. Minha loucura é tentar manter minha alimentação saudável, e me manter longe de produtos que me deixam doente (mental ou fisicamente). Nem sempre consigo, claro. Toda e qualquer tentativa de contrariar a lógica do consumo é vista como loucura, e eu adotei a subversão. Me perguntei durante muito tempo se seria possível ser feliz sem consumir em um mundo capitalista. Hoje eu tenho uma conclusão: Só é possível ser feliz, livre das regras que a lógica do consumo nos impõe. Não deixe que o dinheiro defina o que você vai comer ou fazer, se permita escolher, permita ao seu corpo escolhas menos dolorosas.

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Um olhar cor-de-rosa sobre o Câncer de Mama

outubro 29, 2013

Histórias de vida lindas e um olhar sensível e extraordinário de uma fotógrafa engajada, a formula perfeita para um trabalho artístico em defesa da vida. A campanha do outubro rosa, que busca conscientizar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, teve diversas ações fundamentais, mas eu tenho o maior orgulho de ter acompanhado de perto essa, que para mim é a mais linda. A partir de amanhã estará em cartaz, no Shopping Pátio Maceió, a exposição Mamas Rosas, da fotografa Arilene Castro. Uma mistura de ação social com arte, que ressalta acima de tudo a beleza das mulheres vitoriosas que já passaram por essa luta.

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Exposição Mamas Rosas, de Arilene de Castro, estará no Pátio Maceió

por Michele Castro

A fotógrafa Arilene de Castro embarcou no movimento Outubro Rosa para divulgar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Em uma exposição que ficará no shopping Pátio Maceió, de 30 de outubro a 03 de novembro, ela apresenta a beleza que existe em oito mulheres que lutaram contra a doença e saíram vitoriosas. A ação também promove a prevenção.

As modelos, dos 26 aos 63 anos de idade, foram fotografadas individualmente usando figurinos e acessórios rosa, cor que representa o movimento. As imagens buscam despertar e redirecionar o olhar dos visitantes para as mamas pós cirurgia conscientizando, principalmente as mulheres, para a necessidade da prevenção e também comprovando a beleza das mastectomizadas.

De acordo com Arilene de Castro, o objetivo foi sempre colocar a sensualidade em evidência. “Meu trabalho pretende ressaltar a sensualidade feminina e estimular a auto-estima dessas mulheres. Na era da ditadura da beleza, elas provam que são muito mais do que uma parte do corpo, mesmo essa parte sendo um marco da feminilidade”, conta a fotógrafa.

As fotografias estarão acompanhadas das histórias dessas mulheres que venceram o câncer. Em seus depoimentos elas contam como encararam o diagnóstico, a importância do apoio da família e como conseguiram forças para enfrentar as quimioterapias e as cirurgias. “O câncer não é o final de tudo, é o começo de uma nova vida”, afirma Maria Tereza de Lima, de 63 anos, uma das modelos do ensaio.

O câncer de mama é o mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Se diagnosticado precocemente, tem até 90% de chance de cura. Mas de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, as taxas de mortalidade no Brasil continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença é diagnosticada em estado avançado.

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Vida saudável custa caro?

outubro 22, 2013

Decidir mudar os hábitos e levar uma vida saudável, nos leva a “verdades absolutas” desanimadoras. Entre elas, uma muito frequente é a de que essa alimentação custa muito mais caro. Será mesmo?

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Mídia alimenta senso comum que desmotiva as escolhas mais saudáveis

Estive comparando meus hábitos anteriores aos do meu período de mudança, e percebi que meus gastos com alimentação despencaram. Vou dividir a “fórmula secreta” com vocês 😉

Antes minhas compras incluíam pão, hamburguer, pizza de caixa, lazanha pronta, pão de queijo, biscoito recheado, macarrão instantâneo, açúcar, leite condensado, achocolatado em pó, presunto defumado, queijos amarelos, refrigerantes, embutidos, molhos e temperos prontos, palmito, milho verde, ervilha, azeitona e champignon em conserva, catchup, maionese, salgadinhos de milho, cerveja, sorvete…

Hoje compro muitas frutas, verduras e legumes. Feijão, arroz integral, macarrão integral, pão integral, leite da fazenda, queijo coalho, ovo, azeite, carnes, castanha do Pará, temperos naturais, goma de tapioca, macaxeira, inhame, batata doce, aveia em flocos…

A alimentação que escolhi para a minha vida daqui para a frente tem como principal objetivo, reduzir o máximo possível os industrializados. Isso significa que a maior parte da minha comida é comprada na feira. Os carboidratos integrais e industrializados que mencionei até são um pouco mais caros que a versão refinada deles, mas eles são bem reduzidos. O ideal de alimentação saudável que estou vivenciando prioriza (por questões de saúde) o consumo de vegetais, e consequentemente economiza na parte financeira também.

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Estamos inseridos em um mundo de consumo, e somos induzidos a isso. Além de sermos ensinados desde criança que os alimentos saudáveis não podem ser saborosos, que a recompensa sempre virá através do açúcar refinado e do corante artificial, aprendemos também que comida saudável é aquela que está em uma gôndola específica do supermercado, sempre em quantidades menores e preços bem menos atraentes. Normalmente essa “alimentação saudável”, é vista como remédio para quem está com alguma patologia causada pela “alimentação saborosa”. Então se você tem diabetes, problemas com as taxas de colesterol, triglicerídeos, etc., ou se simplesmente está acima do peso, você deve se dirigir a um setor específico, como se estivesse indo a uma farmácia, e gastar muito mais.

A ideia é não perder o cliente, as marcas criam versões “leves” dos seus próprios produtos, para atender o (cada vez maior) público que está adoecendo com os produtos tradicionais delas mesmas. Normalmente esses produtos são muito mais caros, e o cliente constata que esse “estilo de vida” é inviável. Mais cedo ou mais tarde, volta para o consumo que estava acostumado.

Então se eu estou em uma “reeducação alimentar”, termo bastante comum nesse mundo de “dietas”, não seria o caso de aplicar mudanças de verdade? De refazer os meus conceitos de alimentos, ao invés de substituí-los pela mesma coisa, só que em uma versão mais cara? Que tal trocar os lanches por frutas, ao invés de comprar o biscoito light? E por que não comer salada com sucos e frutas naturais no café da manhã, ao invés de produtos industrializados? De que adianta encher meu prato com uma bela salada, se eu vou jogar em cima dela um molho cheio de sódio e glutamato monossódico?

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Demorei a aceitar uma reeducação alimentar, sempre disse que esses cardápios que eu recebia eram só regimes. “Eu não vou passar a vida inteira sem comer as coisas gostosas”, eu dizia sempre. O que eu não percebia, era que aquilo que eu chamava de liberdade era a minha verdadeira prisão. Hoje percebo que não adianta tentar emagrecer, se não estamos dispostos a abandonar os hábitos que nos fazem mal. Eu estava tão dependente dessas coisas (que não deveriam nem ser chamadas de alimentos) que me privava de um bem maior: a minha qualidade de vida. Diferente do que a publicidade e a mídia já implantaram na nossa cabeça, esses produtos não são a única fonte de prazer. Vegetais não são comidas de regime, são alimentos deliciosos. Vida saudável não é vida sem graça.

Então vamos lá, proponho que você reveja o seu cardápio. Substitua, dentro do que for possível pra você, pode ser aos poucos, industrializados por naturais. Quando for fazer feira da próxima vez, tente substituir um alimento que acha muito caro por algum artigo que compraria na feira livre, ou no mercado da produção. Depois me conta se continua achando tudo muito caro 😉

*Obs: Essa postagem pertence à série “Enfrentando o inimigo invisível”. Iniciada aqui no blog no dia 04 de outubro de 2013. Clique aqui para ler o primeiro texto da série

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Faminta por mudança*

outubro 9, 2013

De repente me dei conta de que engordar era só um sintoma, uma consequência. Meus problemas em relação aos hábitos não-saudáveis, que falam mais sobre consumo do que sobre sabores, eram friamente calculados por especialistas em me manter ali.

Foram anos me sentindo um lixo porque me mantinha gorda, conseguindo (em alguns momentos) fazer regimes que me colocavam de castigo sem consumir as comidas por períodos torturantes, pra depois voltar à vida normal e engordar novamente. Era como se fosse um alcoólatra, que passava pelo tratamento e depois, sentindo-se curado, voltava a beber normalmente.

Comecei a ouvir a expressão “reeducação alimentar” há pelo menos 15 anos, mas isso pra mim sempre soou como hipocrisia, porque o conceito de mudar de hábitos é bem contraditório na prática dos ambientes que convivo.

O problema é que nunca me explicaram que isso não era um remédio para eu estar gorda, e sim para eu estar destruindo a minha saúde. Nunca me fizeram perceber que as minhas crises depressivas eram por culpa do que o açúcar fazia dentro do meu corpo. Nunca me fizeram ter a mínima vontade de mudar de vida.

Comer frutas e verduras pode até ser bom, mas não pode ser suficiente. Até mesmo nos cardápios dos diversos consultórios que passei me foi receitada uma quantidade muito maior de industrializados que de naturais.

Emagrecer tudo bem, mas sem deixar de consumir. Light e diet é mercado milionário.

Emagrecer tudo bem, mas sem deixar de consumir. Light e diet é mercado milionário.

Alimentos naturais e baratos são menosprezados, é o castigo para os gordos.

Alimentos naturais e baratos são menosprezados, é o castigo para os gordos.

Nos últimos 5 anos, fiz dieta e perdi mais de 10 quilos em todas as vezes. Cada vez que eu engordava de novo tinha mais certeza de que essa seria a minha condição pro resto da vida. “Porque eu não vou passar o resto da vida sem poder comer o meu chocolate, sem tomar a minha cerveja”.

Dessa última vez as coisas mudaram. Tá, não sei se vou voltar a engordar (não existe ex-viciado, não é mesmo?) tenho grandes chances se observarmos o meu histórico, mas dessa vez a coisa realmente mudou. Fui apresentada ao documentário “Famintos por mudança”, que de alguma forma começou a desprogramar tudo o que estava enraizado aqui dentro.

“A propaganda mente pra você, porque promete te deixar sensual popular e descolado, mas na verdade ficará obeso, infeliz e doente” Isso fez muito sentido pra mim. Nunca vi uma propaganda da nestlé ou da coca-cola com uma pessoa um pouco fora do peso, ou triste.

coca-cola

O que eles vendem: Saúde, felicidade, energia positiva, disposição.

O que eles entregam. Tristeza, doenças, exclusão social

O que eles entregam. Tristeza, doenças, exclusão social

E a relação de termos que comprar coisas dentro de pacotes, que parecem “mais higiênicos” que as frutas da feira, é pra fazer a gente aprender que se todo mundo tem acesso fácil não deve prestar. E aí a cor da embalagem ou o corante artificial começam a valer mais que os nutrientes que o alimento oferece. “…a verdade é que não comemos mais comida, comemos comida como produtos e eles são enfeitados feitos para parecerem melhor e ter um cheiro melhor, para as pessoas se sentirem atraídas…”

Aí no meio do filme uma mulher solta essa frase: “a vida não tinha graça, a única diversão que eu tinha era assistir às pessoas se divertindo” E eu caio em prantos, tendo flashbacks da minha adolescência na frente da TV comendo leite com nescau.

E até hoje eu sofro desejos enormes de comer leite condensado, nescau, coca-cola… Claro, isso é feito para me deixar dependente. “o açúcar é sem dúvida, a cocaína dos alimentos (…) – as indústrias de alimentos – Usam derivados químicos para criar essas misturas que tem um gosto muito bom. E assim criam um produto viciante”

E o mais chocante, mais aterrorizante, de tudo o que vi nesse documentário: Estão me dando ração pra engordar, igual a boi pra ser abatido. “GMS se encontra em 60% dos realçadores de sabor que você vê nos restaurantes, em supermercados, e faz você querer comer mais, mas há algo além disso (…) quando você estuda obesidade, você faz um rato engordar. E um jeito de engordar um rato é alimentá-lo com GMS”

O filme é grande, são aproximadamente 90 minutos. Mas pra toda uma vida de mudanças e benefícios, eu achei até curtinho. Já assisti duas vezes. Recomendo muito. Depois de assistir, tomei a decisão de redirecionar minha “dieta”.

A partir daquele dia, decidi que os novos hábitos não eram provisórios, e que o que me faz mal não deve voltar “quando eu tiver atingido a meta”. Cortei da minha vida o refrigerante, todo e qualquer tempero industrializado (leia-se sazon e similares), eliminei também macarrão instantâneo e outras coisas. Cada dia nessa nova vida tem me deixado mais satisfeita. E com isso eu tenho a ousada ambição de me manter saudável, e sem os quilos a mais que carreguei por grande parte da minha vida.

 

*Obs: Essa postagem pertence à série “Enfrentando o inimigo invisível”. Iniciada aqui no blog no dia 04 de outubro de 2013. Clique aqui para ler o primeiro texto da série

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O fim do efeito sanfona – Enfrentando o inimigo invisível

outubro 4, 2013

Como emagrecer 15 quilos? A receita é aparentemente óbvia. Pratique uma atividade física, reduza as calorias que ingere, e tenha paciência que com o tempo os resultados aparecem.
A resposta está aparentemente certa, mas ela esquece de mencionar fatores fundamentais, que interferem diretamente na execução desse “plano simples”.

Será que mudar os hábitos alimentares e fazer aquela dieta que a nutricionista receitou é tão impossível assim? Será que eu sou tão absurdamente fraca que não consigo ter essa disciplina? O que tem de errado comigo? Por que será que eu prefiro ficar olhando o facebook, ou até assistindo novela (que já falei mil vezes que não presta), ao invés de passar uma hora caminhando na praia ou fazendo qualquer outra atividade física?

O problema é que estamos procurando soluções para a consequência, enquanto deveríamos nos preocupar com a causa. A velha história de “tomar um analgésico para resolver a dor de cabeça, quando na verdade você está com pressão alta e pode morrer disso”.

prisaoNão é preguiça, não é simplesmente opção pelo errado. O problema é que estamos em uma guerra contra um inimigo não declarado. E cada vez que você tentar mudar a ordem das coisas vai se deparar com uma infinidade de atrativos para manter as coisas do jeito que estão. Há quem ache que isso é “teoria da conspiração”, ou exagero mesmo, mas na prática eu sinto na pele o efeito dessa guerra.
Há quem tenha concentração suficiente para ignorar os apelos, mas eu considero imensamente torturante quando quero fazer uma coisa e tem centenas de apelos em contrário.

montagemPor exemplo: Imagina que você não pode coçar a cabeça. De repente você abre uma revista e tem um cara coçando a cabeça com a expressão de que isso é a coisa mais prazerosa do mundo. Liga a TV e tem várias pessoas conversando felizes enquanto coçam a cabeça (rola até um close na mão de alguém). Aí você sai na rua e tem milhares de cartazes bonitos, coloridos, com pessoas felizes coçando a cabeça. Isso se repete durante todo o dia, por toda a sua vida.

Você pode até conseguir resistir, mas o normal é que em algum momento você vai acabar repetindo o gesto.

A indústria alimentícia tem tido uma relação assim com a gente. É preciso resistir muito para não encher o corpo de substâncias que vão nos adoecer, entristecer e, possivelmente, engordar. O bombardeio de informações nos faz associar o prazer aos hábitos errados, muitas vezes de forma covarde, em que nem percebemos. Ou você acha justo uma criança ser ensinada que uma bebida láctea cheia de corantes e emulsificantes é tão nutritiva quanto um bifinho?

E no final, ao invés de se preocupar com os problemas de saúde que teremos, precisamos enfrentar sérios problemas sociais com a aparência que o nosso corpo adquiriu.

Então voltamos àquele cardápio, aparentemente fácil, que a nutricionista receitou. Como eu faço para seguir, se no “café-da-manhã de lançamento do prêmio” que eu fui convidada não tem nada do que é permitido? E no aniversário da minha avó, que a palavra saudável é proibida? E no shopping, que até tem opções de salada, coladinha com aquela pizza incrível? Como eu faço para encontrar os meus amigos senão indo a um bar, restaurante, show, ou qualquer coisa em que todos estão consumindo permanentemente aquelas coisas que me disseram que não posso?

Como não vou me sentir uma pecadora em processo de penitência, que fez alguma coisa muito errada e está pagando por isso?
Há quatro meses eu decidi que a culpa não é minha. Eu decidi que não posso pagar pelos crimes de uma indústria que me bombardeia por todos os lados, e depois me responsabiliza por eu estar indisposta e fora do padrão aceitável que ela mesma decidiu para mim.

A primeira ação dessa decisão, é ver que por mais atraente que seja o apelo da mídia, ele está querendo me levar para o abismo. É difícil lembrar isso todas as vezes, mas até aqui eu só cedi pouquíssimas vezes, diria que dá pra contar nos dedos de uma mão. Depois dessa decisão, tudo parece que ficou menos difícil (fácil ainda não é).

Então eu percebi que o problema não é estar gorda. O problema é estar dependente de açúcar, e perceber que ele é capaz de alterar o meu humor. Ou achar que só posso me divertir se for comendo, e que coisas como o álcool só podem ser retiradas da minha vida por um período curto (enquanto eu emagreço) e isso não é um conceito que eu inventei, que implantei para mim, é o formato de vida da maioria das pessoas, independente da classe social.

feiraResumindo, decidi que quero mudar. Cansei de “aceitar que dói menos”, agora vou “recusar para parar de doer”. E permitir ao meu corpo que ele tenha o prazer de ser bem alimentado, de conhecer sabores de frutas, verduras, e uma infinidade de alimentos naturais, preparados com comida de verdade, ao invés de produtos quimicamente preparados para desenvolver em mim um vício.

Sei que terei recaídas, mas como elas são raras exceções, meu corpo tem me agradecido de formas bem agradáveis. Meu sono está melhor, minha ansiedade reduziu drasticamente, minha pele está mais bonita, e até o meu cabelo está caindo menos. Sinto que isso é só o começo, e recomendo a todo mundo que experimente essa sensação, é deliciosa!

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*Começo hoje uma pequena série sobre as relações de indústria, consumo, saúde e emagrecimento. Pretendo trazer a publico um pouco do que me angustia, do que aprendi com anos de efeito sanfona. Convido a todas e todos que estiverem dispostos a fazermos juntos uma reflexão sobre os prejuízos que nossa saúde tem sofrido.

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A capacidade de indignação

junho 18, 2013

Eu vivo em um Estado onde as escolas estão sucateadas, os recursos para a merenda escolar são mínimos, falta professor, merendeira, vigia, serviços gerais… Eu vivo em um Estado em que a saúde agoniza, pensar em usar os hospitais públicos é sentir um frio na espinha só de lembrar a imagem de horror que é aquele lugar, ouvi dizer que não dava pra realizar procedimentos por falta de material como gaze ou seringa. Eu vivo lutando, vivo protestando, e sendo marginalizada por isso.

Saúde agoniza em Alagoas. Foto: Gazetaweb

Saúde agoniza em Alagoas. Foto: Gazetaweb

Eu vivo em um Estado onde trabalhadores rurais são chamados de vagabundos e bandidos por quererem terra pra plantar, que mulheres são chamadas de neuróticas por não admitirem ser violentadas, que homossexuais são agredidos e até assassinados só por serem homossexuais, e negros são “elementos suspeitos” só por serem negros.

Eu vivo em um Estado onde as pessoas acham que o único problema de combinar bebida e direção é encontrar uma blitz, mas logo encontram uma forma de burlar a lei (seja com aplicativo no celular ou com carteirada).

Vivo ouvindo que “protesto é besteira, atrapalha o trânsito”, ou que “eles tem direito de protestar, mas eu não tenho culpa nenhuma e tenho hora pra chegar ao trabalho” “bloqueio de sem-terra? esses vagabundos desocupados”, “de novo esse povo fazendo ato? isso já tá ultrapassado, não funciona mais”, “protesto político é só pretexto pra fazer campanha de partido. É só esse povo do PT querendo derrubar o PSDB”.

Vivo em um Estado, onde ao invés de reclamar do valor da passagem e da qualidade dos transportes coletivos, as pessoas compram carros. Ano após ano, a passagem sofre reajustes e um pequeno grupo protesta, sem muito sucesso.

Aí de repente um protesto no Sudeste do país ganha visibilidade. A luta contra o aumento da passagem se transforma em guerra com a polícia, e civis são agredidos e presos exercendo seu direito de protestar. A indignação com os problemas importados do Sudeste transformaram a ideia de protesto (até ontem repudiada), em “o Brasil acordou”. E as mesmas pessoas que faziam cara de nojinho e marginalizavam os protestos, ontem estavam na rua.

 

É delicioso ver essas pessoas sentirem na pele, o que eu costumo sentir normalmente. É bom ver a capacidade de indignação presente em pessoas que até ontem não se abalavam com tanto sofrimento. Renova as minhas esperanças ver a cidade parar para reclamar.

Que continue não sendo mesmo só por R$ 0,20 ou R$0,50, que seja pela infância e juventude esquecidas pelo Governo de Alagoas. Que seja pelas mães tentando parir e não achando vagas em Maceió, que seja por salário digno para policiais, bombeiros, profissionais da educação, profissionais da saúde, e todos os outros. Que seja contra o discurso de “não gosto de política”, que seja contra os ônibus lotados, atrasados e caindo aos pedaços.

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Faltando alguma coisa

março 17, 2013

Sabe quando chega um móvel novo, você monta até com uma certa facilidade, e no final fica sobrando uma peça? Aquela peça veio junto,  tem características parecidas com as restantes, mas por algum motivo o objeto ficou pronto sem precisar dela. Inicialmente você pensa, observa onde está faltando, qual o erro, mas nada está fora do lugar.

A partir daí, a busca por uma explicação sobre aquela peça que está fora do lugar se torna um problema. O medo do que ela possa representar (já pensou se esse móvel se desmonta quando eu colocar minha TV em cima?) muitas vezes faz com que o móvel seja desmontado e remontado diversas vezes, na busca de explicações. Até que se desista e deixe aquele problema esquecido, mas não explicado.

As vezes a vida da gente parece que está com tudo no seu devido lugar, mas tem uma pecinha sobrando, que é lembrada com incômodo. Aquele momento em que bate uma angústia enorme, uma insatisfação que desmotiva, mas você não consegue entender a razão. Não adianta montar e remontar o móvel, não há uma solução. Normalmente o assunto foge da cabeça quando aparece outro (normalmente sem muita importância), que atrai a sua atenção. Cada vez que a sensação volta, ela vem com mais força, menos tolerância.

Se nessa metáfora esdruxula, que eu inventei para tentar descrever um sentimento abstrato, o móvel é a vida, não dá pra jogar ele fora, e comprar outro. Principalmente porque ele está bem, funcionando, inteiro e em boas condições. Mas aquela inexplicável peça sobressalente…