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Não era pra ser sobre o PT

abril 1, 2015

Tá difícil dialogar. Desde o segundo turno das últimas eleições, tem sido muito cansativo tentar respeitar e ser respeitada em conversas sobre política.

Ando me perguntando diariamente, porque eu tô defendendo o governo, se eu tenho tantas críticas a ele. Por que a gente tá discutindo coisas tão bobas e tá se agredindo tanto? Pois bem, se eu não consigo ter uma conversa minimamente civilizada com pessoas que sempre demonstraram tanto carinho por mim, acho que é hora de repensar.

Vivemos um momento único na história do país, e eu queria que a gente avançasse mais. Mas na hora que eu queria estar cobrando mais avanços, vejo pessoas raivosas reivindicando retrocessos. Os absurdos como o pedido da volta da ditadura militar ou o “fora Paulo Freire” me fazem perceber, que o que está incomodando essas pessoas não é a corrupção, é a mudança.

Eu achando que a mudança tava lenta, e vocês com medo de perder os privilégios. Se apegando ao direito de ter empregada doméstica sem direitos e sem reclamar, de chamar negros de macacos sem ser criminalizados.

A repulsa aos direitos humanos que algumas pessoas tem demonstrado me parece sem sentido. Termos como “heterofobia” e “psdbfobia” são provas de que vocês não podem estar falando sério, mas estão. E aí a gente chega no ponto crucial: Não é contra o PT que essa gente protesta, é contra os direitos humanos. Falar em “psdbfobia” partidariza uma discussão sobre defesa de direitos que não foi criada pelo PT, nem é exclusiva dele. “Psdbfobia” se contrapõe às minhas críticas ao racismo, ao machismo, à homofobia. Esse governo está longe de ser o que eu espero para o Brasil, mas as transformações não me deixam ignorar os ataques injustos.

Quando uma pessoa argumenta que “O Brasil foi o país que mais diminuiu a fome no mundo”, e a resposta é “ainda bem que o povo só precisa ficar sem fome. Segurança, educação e saúde não são tão importantes assim… viva o governo brasileiro”, eu percebo que o importante agora é ganhar a discussão, e não entender o que é melhor.

Eu queria cobrar a reforma agrária, discutir democratização da comunicação. Queria mesmo é perguntar à Dilma porque ainda não derrubou o fator previdenciário. Mas preciso esquecer tudo isso e defender coisas mais primárias, como o combate à fome, a valorização do salário mínimo, ou a criação de novas universidades. Preciso parar pra conversar com pessoas esclarecidas e argumentar que reduzir a desigualdade social e dar condições dignas a miseráveis não é “destruir o país”, e que para dizer que o país “nunca esteve tão mal”, é preciso comparar com os governos passado, e não com a semana passada. Sim, meus queridos parentes, eu às vezes acho necessário olhar para trás. Olho simplesmente porque quero que os dias de dificuldades não voltem.

E quando você reclama do combustível, é bom lembrar que antes nem carro você tinha. E se o dólar alto é um problema para a sua viagem à Disney, lembre que viajar para o exterior era impensável para alguém da sua classe social (que é a mesma da minha). Acabou de se formar e está trabalhando? Na área? Que bom que temos uma taxa de desemprego tão baixa, lembro-me de tempos em que haviam filas de profissionais com curso superior buscando vaga pra gari.

Sobre a corrupção, é aquela velha história, eu sou completamente contra. Espero que erros sejam sempre punidos. Mas lembrando que corrupção não é exclusividade de quem está no poder, pode ser vista o tempo todo (lamentavelmente). Se eu “tenho um conhecido” que vai me ajudar, se eu levo atestado médico falso para o trabalho pra poder faltar, ou se não declaro toda a minha renda pra não pagar tanto imposto, eu não deveria pedir tanto que combatessem a corrupção.

Então vamos ter mais calma, e conversar como pessoas adultas, por favor.

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